Para Roma, com Amor: nas ruas da cidade

No início do filme, o guarda de trânsito avisa: em Roma, tudo é história! E é mesmo. Se por um lado as ruínas do Império Romano contam séculos de História, por outro, a multidão de turistas que passa todo dia pela cidade sai com muitas lembranças.

Para Roma, com Amor, bate todos os cartões postais da cidade e marca lugares que daqui para frente terão um motivo a mais para serem visitados, mas não chega a imortalizar uma cena com Roma, como o banho de Anita Ekberg na Fontana de Trevi em La Dolce Vita, ou a visita de Audrey Hepburn à Bocca della Veritá em A Princesa e o Plebeu.

O filme é formado por quatro histórias totalmente independentes, o que traz certa confusão para as pessoas que esperam que os enredos se juntem no final. Além da grande quantidade de personagens sem conexão, a passagem do tempo não é igual para todas as histórias, o que deixa o público mais confuso ainda.

Em uma das histórias, um casal norte-americano (Woody Allen e Judy Davis) viaja para Roma para conhecer a família do noivo de sua filha. O pai do noivo é agente funerário e por coincidência, um excelente cantor de ópera quando toma banho, o que deixa o personagem de Woody Allen obcecado por lançá-lo no mercado da música.

Outra história é sobre um homem comum (Roberto Benigni) que se torna uma celebridade sem motivo algum e os paparazzi fazem virar notícia qualquer besteira que ele faça.

O terceiro enredo é sobre um casal do interior da Itália que vai a Roma querendo começar a vida e tem sua fidelidade testada pelas improváveis situações que a cidade lhes coloca.

Minha história preferida é a única que faz jus ao título do filme. Nela, Alec Baldwin é um arquiteto (coincidências à parte) norte-americano bem-sucedido que já viveu em Roma há trinta anos. Enquanto seus amigos preferem conhecer os pontos turísticos clássicos, ele decide caminhar pelas vielas do Campo dei Fiori e Trastevere, onde viveu no passado. Nessas caminhadas, se encontra com um jovem (Jesse Eisenberg) que na verdade, é ele mesmo na juventude e começa a agir como a consciência do rapaz. Agora mais maduro, sugere atitudes mais racionais ao ver que o jovem está se apaixonando pela melhor amiga (Ellen Page) de sua namorada (Greta Gerwig). Ao mesmo tempo, o moço lhe relembra o perfil sonhador da juventude e como ele se vendeu às oportunidades mais fáceis de ganhar dinheiro na sua profissão, ao invés de se dedicar a projetos visionários.

Embora com algumas situações meio forçadas, as quatro histórias trazem bons momentos de diversão devido ao humor típico de Allen, baseado em comportamentos inesperados e tiradas irônicas. A trilha sonora é fundamental no filme e aquela musiquinha (Amada mia, amore mio) funciona como parte do diálogo, completando o pensamento e arrancando as gargalhadas do público.

Para Roma, com Amor, definitivamente não chega perto da criatividade de Meia-noite em Paris, mas confesso que para mim tem um gostinho todo especial. Eu estava em Roma no período do lançamento, mais especificamente em frente ao cinema que aparece no filme, no Campo dei Fiori. Ver lugares por onde passei em um filme de Woody Allen é melhor que rever minhas fotos da viagem no computador. Recomendado a quem foi ou deseja ir a Roma!

| Eu vou | Petter Dantas | 2012

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