As desventuras de tentar enviar uma carta

Quando viajo costumo enviar postais para a família. Para muitas pessoas isso não faz sentido, pois acontece de você voltar para seu país antes que a carta chegue… A questão é que enviar uma carta é mais que mandar notícias. É expandir o limite da viagem e mandar um pedacinho de onde você está para as pessoas que você gosta.

Quando viajamos para Santiago, eu já estava mal intencionado e localizei a Agência Central dos Correios, que é um prédio muito bonito no Centro, perto de tudo que os turistas visitam. O prédio tem um belo átrio, coberto por uma estrutura metálica antiga e vidro. Além dos serviços do correio, há um Museu Postal.

euvouparaomundo.com As desventuras de uma carta #viagem #Chile

Enviar uma carta deveria ser algo muito simples em qualquer lugar do mundo. Acontece que de um lugar para outro os procedimentos mudam e se o idioma for outro, o negócio pode complicar. Fomos ao guichê pagar a postagem e recebemos um selo para envio internacional. Caprichei no portunhol. Perguntei à atendente se ela tinha uma almofadinha com água (o selo tem uma goma no verso que quando é molhada vira cola), se tinha cola para eu poder fechar o envelope e onde eu depositava a carta. De repente ela começou a falar um espanhol mega rápido e começou a apontar para o átrio do prédio. Muito louca aquela mulher!

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Fomos para o átrio e lá em uma das mesas tinha um senhor preparando uma carta. Perguntei se por acaso ali não tinha uma almofadinha com água para passarmos o selo. Ele me respondeu com apenas um gesto: boca aberta, língua para fora! Eu já vi isso em filme, mas nunca pensei que faria. Quer dizer que temos que passar o selo na língua e colar no envelope? Tudo bem, novas experiências são bem-vindas, sobretudo em viagens.

Depois usei todos os meus conhecimentos de espanhol aprendido na internet:

– Por favor, tiene cola para que yo cerrar el sobre?

O cara arregalou os olhos, começou a rebolar, apontar para a bunda e a repetir: Cola! Cola! Cola!

Fiquei totalmente sem ação… eu estava preparado para um “disculpame, no tengo”, mas uma reboladinha? Por essa eu não esperava! Inocentemente articulei meus pensamentos… Esse cara tá imitando um cachorro? Quer dizer que cola é rabo em espanhol? Aaaah… por isso a atendente do guichê ficou nervosa? Só porque perguntei se ela tinha cola – rabo? Euheuheuheuehuhehue…

Depois o simpático chileno me disse:

– Lo que quieres és pegamento!

Ah, tudo a ver! Quer dizer que cola é rabo e pegamento é cola? Valeu! Muchas Gracias!

Sabendo agora que o que procurávamos era pegamento… De nada adiantou… Ninguém tinha, porque simplesmente eles costumam fechar os envelopes com durex (cinta adesiva)! Putz! Conseguimos uma cinta adesiva com o cordial segurança do correio e finalmente fechamos nossos envelopes. Depositamos nossas cartas nas caixas de correio (buzón) que estavam no átrio e na saída do prédio encontramos o chileno que nos prestou informações, muito animado.

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No dia seguinte contei essa pequena aventura a Gonzalo, um chileno que estava nos levando a um passeio. Ele entende bem português e quando contei tudo, ele me disse que no Chile a palavra cola  também é uma forma chula para dizer que alguém é homossexual…

| Eu vou | Petter Dantas | 2011

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