Cinco fatos generalizados sobre a generalização dos portugueses

Depois de rodar vários dias pela Europa, Lisboa ganhou o status de minha casa fora do Brasil. Escutar português “original” foi como finalmente visitar parentes distantes sobres os quais ouvi muitas histórias.

Como muitos brasileiros, passei a infância toda ouvindo as tias falarem sobre a chegada dos portugueses ao Brasil. As histórias são contadas tantas vezes sob o ponto de vista exploração, que há brazuca chegando a Portugal em pleno século XXI querendo tomar as dores da colonização. Há quem culpe os portugueses (mesmo os de hoje) por tudo de ruim do Brasil (mesmo o de hoje). Sem querer resolver a celeuma da cabeça dos outros, vou compartilhar algumas impressões que tive da vida portuguesa nas vezes que passei por Lisboa.

#Fato 1: Os portugueses não nascem adultos

Em Lisboa, descobri que existem crianças portuguesas.

No Brasil, a imagem que temos de alguém falando o português de Portugal é de um senhor de meia idade, com chapeuzinho e bigode. Eu nunca havia ouvido uma criança portuguesa falando, até que fomos ao Oceanário de Lisboa, lotado pela turma do jardim de infância!

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A primeira impressão foi de que aqueles meninos não falavam daquele jeito. Era tudo uma grande brincadeira. Mas depois de algumas horas, me acostumei com as letras engolidas em vozes infantis. Foi assim que percebi que os portugueses nascem bebês e só depois viram senhores. O chapeuzinho e bigode são opções de cada um.

#Fato 2: Manuel, Miguel ou Joaquim são os nomes de 50% dos homens de Portugal

Ainda no Oceanário de Lisboa…

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Admiradas com o aquário gigante, as crianças gritavam pelos colegas para mostrar algum peixe específico e as professoras também chamavam os meninos mais afoitos pelo nome, tentando conter o excesso de empolgação. Fiz uma amostragem rápida e constatei: todos os meninos chamados pelos colegas ou pelas professoras tinham como nomes Manuel, Miguel ou Joaquim.

Mais isso, é claro, tem um motivo. Descobri que de acordo com o Artigo 103 da SUBSECÇÃO II, SECÇÃO I, do CAPÍTULO II , do TÍTULO II, do Decreto-Lei nº 324/2007 de 28-09-2007 (ufa!), em Portugal:

“O nome completo deve compor-se, no máximo, de seis vocábulos gramaticais, simples ou compostos, dos quais só dois podem corresponder ao nome próprio e quatro a apelidos (…)     Os nomes próprios devem ser portugueses, de entre os constantes da onomástica nacional ou adaptados, gráfica e foneticamente, à língua portuguesa, não devendo suscitar dúvidas sobre o sexo do registando.”

#Fato 3: Português é inteligente

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Em Lisboa presenciei alguns momentos da lógica direta dos portugueses. Algumas das situações que parecem piada para os brasileiros realmente acontecem, mas simplesmente são outras formas de pensar e de se comunicar sem rodeios. Acredito que tenha sido por causa desse tipo de raciocínio (e principalmente da rivalidade colonizador x colonizado) que muitas piadas sobre portugueses surgiram. Se quiser ver exemplos da forma peculiar de raciocinar dos portugueses sem precisar ir a Portugal leia As Esganadas, de Jô Soares. O protagonista do romance, Tobias Esteves, é um investigador português que usa um método de dedução avançado, mas o raciocínio às vezes é tão direto que até as personagens do livro estranham as conclusões.

#Fato 4: Em Portugal existem calçadas de pedra portuguesa  sem buracos

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Em Lisboa finalmente encontrei calçadas, praças – e até ruas – de pedras portuguesas perfeitas. Com certeza devem ter problemas em algum momento (e ter gente que odeia)  afinal, é uma técnica artesanal que sofre muita pressão do fluxo de pessoas e veículos, mas quando se trata de buracos, nada se compara às calçadas de pedras portuguesas brasileiras. Definitivamente, esta herança não se adaptou bem aos trópicos!

#Fato 5: Navegar é preciso

Pessoas são pessoas em qualquer lugar do mundo e viajar com certeza faz parte dos planos de muitas delas. Ao visitar um lugar diferente, quando converso com “estranhos” e digo de onde venho, com frequência também percebo a mesma curiosidade de visitar o lugar onde vivo. A possibilidade de conhecer um lugar novo abre nossos olhos para as pequenas diferenças e aguça a vontade de viver.

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Se existe algo que os portugueses sempre tiveram e têm razão é de que navegar é preciso.

Felizmente hoje podemos ir voando.

| Eu vou | Petter Dantas | 2015

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